Manoel Carlos Guimarães Martins, 53 anos, de Guaratinguetá (SP), é um exemplo a ser seguido. Sem ajuda de empresas esportivas ou grandes patrocinadores, ele realiza há oito anos a "Prova Pedestre Bar do Mané".
Seus maiores apoiadores em 2004 foram a Prefeitura da cidade, com R$ 1.000,00, a empresa de ônibus Pássaro Marron, com R$ 350, e a JK Tintas, com R$ 200. Para completar os R$ 20 mil que gasta no evento, Mané (como é conhecido na cidade) faz festas, rifas, vende camisetas, recebe apoio de comerciantes, cobra R$ 15 de inscrição dos atletas e às vezes saca de sua conta bancária. Lucro ele nunca viu.
É puro amor pelo atletismo mesmo. Desde os 14 anos, ele corria e organizava disputas com amigos do bairro.

Quando ficou adulto e dono de um pequeno bar na cidade, resolveu ampliar o alcance de suas provas de corrida. O impulso que faltava para colocar seus planos em prática foi a ida de seu conterrâneo Luís Antônio dos Santos à Olimpíada de Atlanta, nos EUA (1996). Ao ver a garra daquele atleta de sua cidade, pensou que, com apoio, outro esportista brasileiro poderia ser revelado. Resolveu então fazer sua parte e, já em 1997, surgiu a primeira prova "Bar do Mané", com percurso de 10 km e participação de 75 pessoas.

ARTESÃO
Nesses anos, o circuito ganhou popularidade. Na última edição compareceram 253 atletas de seis estados brasileiros (SP, RJ, MG, ES, BA, PA). Mané organiza a prova de forma quase artesanal. Ainda assim, a corrida não perde em estrutura para as da capital paulista, que têm mais recursos. Ele monta postos de hidratação, distribui água, empresta sua casa para os atletas guardarem objetos pessoais ou usarem o banheiro, fotografa a chegada de todos os participantes - e depois envia a foto pelo correio, junto com o tempo do corredor. Ao fim da prova, distribui para cada um uma medalha e um kit com frutas e lanches. Claro que ele não faz tudo sozinho: no dia, 80 voluntários o ajudam, mas mesmo assim Mané tem de fechar o bar de tanto trabalho.

SORRISOS

A prova ocupa o tempo do comerciante também muitos meses antes. Além de correr atrás de recurso, ele mesmo esculpe em argila cada um dos troféus entregues aos primeiros cinco lugares das seis categorias. "Minha maior motivação é ver cada dia mais gente participar da corrida. Fico muito satisfeito quando a prova termina e os corredores estão sorrindo por terem feito algo de que gostam", diz Mané.
Muita gente reclama do nome da prova - afinal, um bar não é sinônimo de saúde, mas ele não se incomoda.

"Se o Abílio Diniz tem um supermercado e coloca 'Pão de Açúcar' no nome das prova, porque eu não posso usar 'Bar do Mané'?", questiona.

Pelo menos quem corre os 10 km de subidas e descidas, com alguns trechos de paralelepípedo, leva a prova a sério. Os competidores disputam bravamente o prêmio em dinheiro, que totalizou R$ 9,4 mil em 2004. O clima, porém, é de amizade e festa. "É diferente de tudo que já vi. Apesar da competição, todo mundo é muito amigo e sempre está pronto pra ajudar quando vê que você está desanimando. O Mané merece todas as honras por armar uma corrida tão bacana com poucos recursos", comenta o professor de engenharia da Unesp Victor Gamarra Rosado, de 46 anos, morador de Guaratinguetá.


A CORRIDA AGRADECE À TODOS DA O2 !!!
em especial à repórter Evandreia


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